“Assimetria das curvas dos rios daquelas matas interiores tocando as linhas retas das estradas da Nova Ibéria; anúncio do novo com seus chips eletrônicos e suas danças para chuvas”.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
domingo, 31 de maio de 2015
terça-feira, 18 de novembro de 2014
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Mais dois passos
domingo, 9 de março de 2014
é de fôrma o escarro que sai destas ventas entumecidas? é de ideia a poeira sob as unhas que roçaram teu corpo morno de nervos dilacerados? é de verdade o estafo dos musgos esquecidos em pedras pré-históricas? é de lógica os miúdos estalados no asfalto de gato atropelado? é de ser o devir que me esmaga e me inventa no dorso de mim mesmo?????
segunda-feira, 3 de junho de 2013
VERSO
sábado, 20 de abril de 2013
"Vede o espectador teatral. Logo que o último ato chega ao meio, ei-lo nervoso, danado por sair. Para quê? Para tomar chocolate depressa. E por que depressa? Para tomar o bonde onde o vemos febril ao primeiro estorvo. Por quê? Porque tem pressa de ir dormir, para acordar cedo, acabar depressa de dormir e continuar com pressa as breves funções da vida breve" (João do Rio).
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
Memórias Cubanas
está mais rígido que outrora, parafusos a enroscar as banhas dos outros. Os outros, o inferno de todo dia, metralhadoras a romper meu tímpano. Os outros, Revolução social, marchinha militar matutina em Cienfuegos... Camilo? Não, recrutas nascidos em 26 de Julho a serpentear o corpo em possessão de maracas reverberando calientes nos sacolejos de gringa obesa.
La antevision del progreso de la humanidad: Um pau tropical.
domingo, 2 de janeiro de 2011
entoada do velhinho na estrada da fazendinha Nossa Senhora de Aparecida
Velhos, quase acabados, não permitem ainda a composição final que ecoaria em matéria dura, apodrecida nos caixotes fúnebres, no gozo pesar dos que ficam ainda inconclusos.
São tortos em seu vagar, mal se encaixam nos passos que um dia foram firmes na terra esturricada, batida dos serros distantes, no tempo inscrito em ruga do corpo que aponta pra dentro.
Murchos, espreguiçam os beiços para orvalhar gostos, arregalam olhos cinzas que não discernem cores. Apontam pra dentro como seu o Sol, o vivo rubor, fosse a lembrança de um Sol vivo que enverdecia as folhas do milho,
Em cada sabugo torcido, mil sóis a vibrar em nossos ventres dormidos.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Zumbi abrindo Xingu II
Sob os pés da humanidade de cinza tez
A quentura do magma
Feito preto-feijão em panela véia a destroçar nervos,
Doce sumo revolucionário do que resta
Do banquete de rosada gente.
Sobre os cílios que farfalham em sorriso-bananeira,
Ventos intrépidos, quiçá tambores de guerra,
Toda pressão da atmosfera em banho crepuscular
Que comprime argolas e patíbulos
Em carne crua e magra,
Preta carne num caledoscópio sem cores.
O sangue festivo quando não arde em pus de ferida aberta,
Explode vermelho em cantiga de noite
Quando os senhores dormem seu sonho culpado
E a canalha dorme em sonho acordado.
Pra lá do poente neon-anil,
Ver-te em sons é expurgar o pecado da cor
É fazer-te em preto-escuro, quase rubro,
Esta noite clara e sem estrelas.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Pão de doce
Agora, óia o solzão que faz quando é noite e ainda é dia. Qual rabisco se a boca freme irradiações solares de um beijo estendido que arregala a vida, e se do pão dormido faz colorido doce?!
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Convite
Uma noite desperta dias esquecidos, estes que se escondem por detrás das horas sisudas alardeando atrasos que nunca se atualizam. Por trás dos dias medidos, contados a régua e compasso, chuva suave em terreiro encrespado, vovó depenando galinha, manga verde na véspera do doce sumo... Naquele tempo que sonhávamos, e não sabíamos discernir as coisas...
menino era o barro que pisava, verde era o vento nas bananeiras, gozo era o farfalhar dos porquinhos.
Saiba que desta noite, a vida a pulsar sobre os ponteiros, levo um gosto de criança em tempo cuja brincadeira mais séria do mundo é criar e desfazer castelos de areia... levo uma sabor no corpo, a vontade de ser mais contigo, o anúncio de um beijo que acalma e atormenta. A noite em mim se fez poesia, e agora com o sol já bem alto, tudo que é belo tem o teu rosto, todas as ruas levam o teu nome, um desejo, um sonho, um convite:
"Vamos nos jogar onde já caímos????"
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Ciência se faz pra entender as coisas
Um beijo pode ser medido? Um carinho raciocinado?
"Pode" - dirão os doutos.
Há entendidos com ar de importância
Bula e cartilha, dedo em riste apontando o caminho
ou rabiscando a revolução nos guardanapos da mesa de bar...
Eu fico quietinho com ar de bobo
Com teu cheiro ainda em mim
Sem entender nada!
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Indiferença
Não me diziam nada.
Fiquei a olhar a robustez do pedregulho desafiador, o seu despir imóvel do manto espumoso que insistente o encobria em vão, o seu silêncio maior que os berros do infinito horizonte. Espertíssimo, fingia de morto como o bicho cascudo agora em meu dedo fingindo ser pedra, tijolo, granito. Por que essa ausência que fere os sensíveis e frustra as paixões?
Debrucei-me sobre as pedras, pequenas cordilheiras de indiferença mineral. Orelha sob o casco duro:
Não disse coisa alguma.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Centro
Medem-se distâncias e eqüidistâncias.
O centro de nossas senhoras, sagradas senhoras:
- oh senhoras cujos centros
maculados-pererês-paridos-transbordam
Lobato, coitado, sabia apenas de bordas
Mamãe, de cabaço apertado, prendeu-me em seu centro
Viola e canção em alentos de outrora
“Matuto, eis o fundo das coisas!” – dizia:
- O fundo...
O meio do que nos é posto
O-posto do meio do mundo.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Boa Esperança
Toca a terra a beira das casas de taipa desses ermos onde terra quase não há.
Há beiras e cigarros mascados, pinguelas e cãezinhos chorosos debaixo de pontes cambeiras.
Os sapos prolongam a rouquidão da noite,
E dia não há para os olhos acordarem febris como o sol.
As cores se exilaram, e a imensidão é cinza.
As hortas afogam em prantos. Haverá fome.
Quisera o rio se acometer da frouxidão dos leitos:
Esguio, apruma o corpo com brabeza.
Grosso de barro até as tampas, lambe beiras e canelas.
Desdenha as margens e a solidão do que passa.
Surdo com seu rumor de animal enredado,
Não espera o sol desvanecer-se de sua mortalha de frio.
Corre reto deslizando nas curvas crispado de chuva e esperança vã.
Vão será o mar de mil afagos e infinitos acalantos?
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
La Conquista de Abya Ayala
Olhos mareados procuravam às cegas o chamuscar das espadas mouras e vislumbravam por trás de paredões inalcançáveis o grito efusivo do Rei a cruzar a galope o pecado.
Os corações ainda pulsavam nas mãos quando do primeiro estrondo. Nem os espelhos salvaram. Pularam os muros de pedra flamejante e caíram numa escuridão molhada, tragados pelo ouro que carregavam. Triste noite aquela que não se ouvia o vento; o murmúrio da guerra empapava as botas encarniçadas pelo barro seco. O coração pulsava valente sob a pele fina da terra. Tambores de guerra em anúncio profético...
O medo assolava a tropa até a chegada de cortês figura,
a cruzar a galope o pecado.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Zumbi abrindo o Xingu
Oh, povo de intempestivos rompantes!
Cortai galerias emplumadas, enchei com odor acre os espaços diminutos, apinhados de gente sensata.
Mostrai a cara, oh deus dos danados, às frontes rosadas infames...
Mostrai a cara, oh bicho raivoso, para que vejam o assombro dos séculos passados:
chicotes, tumbeiros e palmares.




